Mundos físico e digital devem se fundir na saúde em breve

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“O cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais”, afirma especialista Na semana passada, entre os dias 9 e 12, o Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021 reuniu especialistas para tratar de um território em franca expansão: a saúde digital. Ninguém mais discute sua validade ou aplicabilidade – essa fase já passou – e sim seu potencial de crescimento. O próximo passo deve ser, inclusive, fazer a medicina embarcar no metaverso, termo que se refere ao mundo virtual que replica a realidade. Como uma expressão de nerds e redes sociais está prestes a envolver os pacientes?
Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, usa a teoria dos conjuntos para traçar o cenário dos próximos anos: “antes se imaginava que havia apenas uma área de interseção entre a saúde digital e a presencial, mas agora está claro que há uma união entre esses dois conjuntos, com experiências integradas”. Trocando em miúdos, o mundo físico e o digital caminham para ser uma coisa só. Uma sólida base de informações on-line poderá tornar o atendimento mais ágil e eficiente, como o monitoramento de portadores de diabetes e hipertensão, capaz de reduzir custos e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Imagine chatbots reconhecendo alterações na voz que indiquem a presença de uma enfermidade – é mais ou menos esse o caminho que temos pela frente.
David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais”
Divulgação
Renata Albaladejo, coordenadora de operações da telemedicina do Einstein, enfatizou sua utilização para superar os “vazios demográficos” de especialistas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: “há uma necessidade urgente de qualificar a rede e o atendimento, por isso criamos o ambulatório digital de especialidades médicas”. Desde 2014, a instituição realizou 110 mil teleinterconsultas, nas quais os profissionais discutem o caso on-line, com interações em tempo real, enquanto o paciente é examinado.
Ao falar sobre tendências e oportunidades no setor, o médico David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft, disse que assistimos ao empoderamento do consumidor de saúde, que terá acesso e controle dos seus dados, e à migração das informações para prontuários eletrônicos: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais. O cuidado será contínuo e no dia a dia da comunidade”.
Ele anunciou uma parceria entre a Microsoft e a Nuance para a criação de um aplicativo que registra a conversa do médico com o paciente e a transforma num documento com todas as informações relevantes da consulta. Não se trata de uma mera gravação: a partir da base de dados que dispõe sobre a especialidade, a inteligência artificial processa a linguagem natural e organiza o relatório como o profissional de saúde faria com suas anotações.
Enquanto não chegamos ao estado da arte, temos que enfrentar barreiras de todo tipo, entre as quais uma base de dados ainda muito frágil e falhas na formação do profissional de saúde, como apontou o presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Júnior. “Os futuros jovens talentos precisam entender que a telemedicina é mais uma técnica de cuidado e deve fazer parte do arsenal de que dispõem. Tenho pacientes idosos que escutam mal e preferem a teleconsulta porque, com fones de ouvido, entendem melhor o que está sendo dito. Além disso, outras pessoas, como filhos e cuidadores, podem participar. Há quem insista em permanecer no século passado, com posições estanques e hierarquizadas. Numa UTI, o técnico em oxigenação é tão indispensável para a sobrevivência do paciente quanto o médico e a enfermeira. Entretanto, convivemos com um conservadorismo brutal das sociedades médicas, que temem perder poder. Só que hoje o poder é de todos, porque o leigo também tem acesso à informação”, afirmou.

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