Combinação de tipos diferentes de vacinas contra a Covid pode ser vantajosa e gerar mais resposta

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Estudos apontam que combinar a vacina AstraZeneca com os imunizantes que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro aumenta a resposta imune na comparação com o regime tradicional. Frascos com doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca e da CoronaVac
Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
A falta de vacina AstraZeneca levou os estados do Rio de Janeiro e São Paulo a utilizar o imunizante da PFizer na aplicação da segunda dose na vacinação contra a Covid-19.
Combinar vacinas de diferentes fabricantes é seguro e eficaz? Os estudos já divulgados sobre o tema apontam que, em determinados casos, a mistura pode sim ser vantajosa e gerar uma maior resposta imune.
A estratégia de Rio de Janeiro e São Paulo é baseada justamente nos dois tipos de vacinas com mais resultados já conhecidos das pesquisas sobre a chamada “vacinação heteróloga” ou “intercambialidade de vacinas”.
Veja abaixo o que se sabe sobre o tema:
Vacina com mais estudos sobre a combinação é a AstraZeneca, que usa a tecnologia de “vetor viral”, ou seja, é baseada em um vírus modificado para introduzir parte do material genético do coronavírus no organismo e induzir a proteção;
Pesquisadores da Universidade de Oxford investigam desde fevereiro de 2020 as combinações;
Primeira pesquisa, batizada de “Com-COV1”, a combinação AstraZeneca e Pfizer em 850 voluntários com mais de 50 anos;
Combinação da 1ª dose de AstraZeneca com a 2ª da Pfizer gerou mais anticorpos e células T do que o regime completo com AstraZeneca;
Na Espanha, estudo CombiVacs, do Instituto de Saúde Carlos III, reuniu 676 pessoas entre 18 e 59 anos. Os resultados divulgados em maio apontam que a mistura AstraZeneca e PFizer resultou em mais que o dobro dos anticorpos gerados por duas doses de AstraZeneca;
Na Coreia do Sul, estudo com 499 profissionais de saúde, concluiu no final de julho que a combinação de AstraZeneca com Pfizer gerou níveis seis vezes maiores de anticorpos neutralizantes;
Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, de 66 anos, recebeu a 1ª dose de AstraZeneca e depois foi vacinada com a Moderna na segunda dose: objetivo era incentivar nova estratégia de vacinação após o país recomendar a AstraZeneca apenas para maiores de 60 anos. A Moderna também usa a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), capaz de codificar a proteína S da coroa do vírus, e o introduz no corpo com a ajuda de uma nanopartícula de gordura para induzir a proteção natural do corpo.
Pesquisa na Dinamarca apontou que o regime AstraZeneca/PFizer reduziu em 88% o risco de infecção, número comparável aos 90% para o regime exclusivo da PFizer.
No Brasil, desde o fim de junho as grávidas que tomaram AstraZeneca foram autorizadas a receber a Pfizer na segunda dose.
Ministério da Saúde anunciou, em julho, um estudo para avaliar a necessidade de uma terceira dose para os vacinados com CoronaVac: o objetivo é avaliar eficácia da dose de reforço com um imunizante diferente. Resultados ainda não foram divulgados.
Mistura com a Sputnik V
Por causa de problemas no fornecimento da Sputnik V, países da América Latina precisaram adotar tática semelhante. O imunizante russo também utiliza o vetor viral.
Na Argentina, a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, anunciou no começo de agosto que os resultados preliminares indicavam resultados “satisfatórios” e “encorajadores” na combinação da Sputnik V com a AstraZeneca. Também houve testes com o imunizante da Sinopharm, mas até então os resultados não foram “conclusivos”.
(Abaixo, veja reportagem do Fantástico sobre países no mundo que já aplicavam doses de dois fabricantes)
Novas pesquisas estudam combinação de vacinas

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