Reconhecimento facial do Pixel 4 desbloqueia celular mesmo com os olhos fechados

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Google recomenda guardar telefone em local seguro, com uma bolsa ou bolso frontal. Pixel 4 traz vários sensores na borda superior e aposta no desbloqueio por reconhecimento facial.
Divulgação/Google
O Pixel 4, o mais recente smartphone da linha Pixel anunciado esta semana pelo Google, pode ser desbloqueado por qualquer pessoa que colocar o telefone na frente do rosto do dono do aparelho, mesmo enquanto ele estiver dormindo.
O reconhecimento facial do aparelho — que depende de sensores presentes em uma borda acima da tela — aparentemente não verifica se a pessoa está de olhos abertos, o que abre diversas possibilidades de abuso.
O problema foi percebido pelo repórter da “BBC” Chris Fox, que gravou um vídeo de demonstração. No entanto, o comportamento é intencional e está descrito na documentação do Pixel, que recomenda que os consumidores guardem o telefone em um local seguro, “como no bolso da frente ou na bolsa”.
“Seu smartphone também poderá ser desbloqueado por outra pessoa se for direcionado para seu rosto, mesmo que você esteja com os olhos fechados”, diz a página de ajuda do Pixel.
Para manter a segurança do telefone durante o sono, deve-se ativar o “bloqueio total”, que desliga o reconhecimento facial e reverte para o uso de senha ou desenho de padrão. Porém, não é possível agendar o “bloqueio total” para ser ativado automaticamente durante a noite, o que obriga o usuário a lembrar disso todos os dias.
O Pixel 4, assim como os modelos anteriores da série, não deve ser comercializado oficialmente no Brasil.
Mas a tecnologia usada no celular ainda pode chegar ao Brasil: como é projetado pelo próprio Google, que é responsável pelo Android, o Pixel funciona como uma referência da plataforma e das funções que poderão ser adotadas pelos demais fabricantes.
Bloqueio total precisa ser habilitado nas configurações do Android e ativado manualmente com o botão liga/desliga.
Reprodução
Comparação com FaceID da Apple
Por enquanto, o Pixel 4 está apenas nas mãos de jornalistas e influenciadores que receberam o aparelho do Google para testes e análises.
Especialistas em segurança não puderem adquirir o telefone para realizar testes, então os detalhes da tecnologia de reconhecimento facial do Google ainda são desconhecidos.
O funcionamento do “FaceID” da Apple, lançado com o iPhone X em 2017, já foi estudado por pesquisadores. A tecnologia do iPhone verifica se o olho está aberto, mas o uso de óculos associado a um ambiente pouco iluminado, que pode ser simulado com fita preta, também pode permitir o desbloqueio do aparelho.
Os óculos precisam ser colocados no dono do celular para fazer o desbloqueio.
Par de óculos criado por especialistas da Tencent engana sensor do iPhone que verifica se o olho está aberto.
Tencent
Pelo que se sabe da tecnologia do Google, um par de óculos como este não seria necessário, já que o olho aberto não é levado em conta na análise do rosto.
Tecnologias de autenticação biométrica — que reconhecem a pessoa pela voz, rosto ou impressão digital — devem verificar se a pessoa está consciente para que a trava de segurança digital não coloque em risco a segurança física do indivíduo. Isso é normalmente um desafio para esses sistemas, principalmente quando é necessário equilibrar a segurança com a conveniência de uso.
Assim como o Android possui o bloqueio total, o iOS dispõe do SOS de Emergência para desligar os sensores biométricos (FaceID e TouchID).
Impacto na segurança dos aplicativos
Enquanto alguns telefones com Android possuem reconhecimento facial simulado por software, que é inseguro, o Pixel 4 traz os sensores necessários para o reconhecimento 3D do rosto, da mesma forma que o FaceID da Apple ou o Windows Hello da Microsoft.
Por outro lado, o Pixel 4 não tem um leitor de impressão digital como outros smartphones com o sistema do Google. O reconhecimento facial é a única opção de biometria nesse aparelho.
Muitos aplicativos — inclusive de pagamentos e internet banking — aceitam o reconhecimento de digital para desbloquear tokens, autorizar transferências e outras atividades. Como o Pixel 4 não possui leitor de digital, esses apps seriam obrigados a migrar para o reconhecimento facial para não sacrificar a conveniência aos usuários.
Na prática, qualquer fragilidade no reconhecimento facial também compromete os aplicativos que dependem dessa tecnologia.
Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com
Selo Altieres Rohr
Ilustração: G1

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