Secretário da Receita demitido é defensor histórico do imposto único

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Marcos Cintra sempre defendeu imposto sobre movimentação financeira, como a CPMF. Presidente Jair Bolsonaro se manifestava contra. Marcos Cintra, secretário da Receita Federal, é demitido
O professor Marcos Cintra, demitido nesta quarta-feira (11) do cargo de secretário da Receita Federal, é um defensor histórico do chamado imposto único, que incidiria sobre movimentações financeiras no lugar de mais de 90 tributos existentes no Brasil.
Nos últimos meses, à frente da Receita Federal, Cintra mudou um pouco o discurso, mas sempre defendeu, abertamente, o retorno de um tributo sobre movimentações financeiras – rechaçado, na maior parte das vezes, pelo presidente Jair Bolsonaro.
O tributo sobre movimentações financeiras defendido pelo secretário seria uma alternativa à incidência de impostos sobre a folha de pagamentos – que atinge mais de 40% no Brasil.
Em artigo publicado em seu blog, em outubro do ano passado, o ex-secretário da Receita Federal também critica o Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), incidente sobre o consumo, que é a base das duas propostas de reforma tributária discutidas no Congresso Nacional.
“O pior dos mundos seria levar adiante o burocrático Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Em relação a esse tributo vale retomar o posicionamento de um dos mais importantes homens públicos que o Brasil já teve: Roberto Campos”, avaliou Cintra, na ocasião.
Na visão do secretário, o IVA “foi importante há mais de 50 anos”. “Hoje seus princípios não se ajustam ao mundo moderno. Insistir nessa proposta será desastroso. A reforma tributária requer uma forma de cobrança baseada no fluxo de caixa eletrônico no sistema bancário”, concluiu.
Enquanto esteve à frente da Receita Federal, Marcos Cintra protagonizou episódios incomuns. Logo no início deste ano, negou que haveria mudança na alíquota do Imposto de Renda naquele momento, e aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).
Com isso, ele contrariou informações divulgadas no mesmo dia, mais cedo, pelo presidente Jair Bolsonaro.
O presidente havia dito que o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciaria a “possibilidade” de reduzir a maior alíquota do imposto, dos atuais 27,5% para 25%. Bolsonaro também disse que o IOF sofreria aumento.
Em abril, o então chefe do Fisco afirmou ao jornal “Folha de S.Paulo” que, com o imposto sobre pagamentos em discussão na área econômica do governo, até mesmo fiéis de igrejas seriam tributados quando contribuíssem com o dízimo.
No mesmo dia, houve reação por parte do presidente Bolsonaro. Ele afirmou que não haverá aumento de impostos nem tributação de igrejas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que liberais, como definiu os integrantes da equipe econômica, podem reduzir ou fazer substituição tributária, mas não elevar impostos.
Enquanto esteve à frente da Receita Federal, Marcos Cintra também defendeu a fiscalização do órgão. Em maio, depois de uma comissão do Congresso aprovar uma emenda que limita as atividades de auditores da Receita, ele afirmou que isso representava uma “mordaça” aos auditores fiscais.
“É incrível uma lei proibir um auditor fiscal de comunicar ao Ministério Público a suspeita de um crime, conexo ou não a um crime tributário investigado. Isso é uma obrigação de qualquer cidadão”, declarou Cintra na ocasião.

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