Questionário mais curto visa ampliar cobertura do Censo – mas não há garantia, diz diretor do IBGE

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Segundo Eduardo Rios-Neto, responsável pelas pesquisas do instituto, redução do questionário não foi feita para cortar custos. O diretor de Pesquisas do IBGE, Eduardo Rios-Neto, disse nesta sexta-feira (16) que a redução do número de perguntas do Censo 2020 não foi motivada por corte de custos, mas para reduzir o tempo de aplicação e ampliar a base de cobertura do questionário. Questionado sobre se a medida seria eficaz para atingir esse objetivo, porém, ele disse não ter “evidências 100%”.
“Você tem evidências de que um número menor facilita isso [a cobertura]? 100%, não. Mas o que eu tenho evidência, como todo mundo de TI que você conversa, é que clareza no questionário, simplicidade do questionário, e questionário curto, para autoaplicação (…) é crucial. Então, pelo sim, pelo não, nós estamos cortando”, afirmou.
O questionário básico do Censo 2020, aplicado em todas os domicílios, terá 26 perguntas, contra 34 no último levantamento, realizado em 2010. Já o questionário mais detalhado, de amostra, terá 76 perguntas, contra 102. A prova piloto para o Censo do ano que vem chegou a ter 112 questões.
“Claro, se fosse para cortar [questões] a um custo social muito grande, talvez não valesse a pena. Por isso é que tem toda essa discussão das perguntas [na prova piloto] e tudo.”
O diretor do IBGE afirmou que a demanda por privacidade é atualmente um importante obstáculo para a ampliação da cobertura. “Sem tecnologia, vai ser difícil a gente abrir domicílios de difícil acesso. E na tecnologia, tempo é crucial” disse.
Rios-Neto destacou que, com a melhoria dos serviços e o envelhecimento populacional, contar precisamente os habitantes do país e saber a idade de cada um é essencial para traçar a política pública. E, de acordo com ele, as mudanças no questionário foram feitas para focar nessa coleta.
Na visão dele, mais do que formar um retrato social, o censo é feito para “gerar o denominador da política pública”, ou seja, fazer a contagem de pessoas. “O enxugamento do questionário básico não tem nada a ver com custo-benefício do orçamento”, afirmou.

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