BRF e Marfrig desistem de fusão

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Não houve acordo em relação à governança da empresa que surgiria a partir da junção. Fábrica da BRF em Uberlândia, MG.
Stanley Matias/G1
A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e a Marfrig informaram nesta quinta-feira (11) que encerraram as negociações sobre uma fusão entre as duas empresas. Segundo comunicados divulgados pelas duas empresas, o motivo foi a falta de acordo em relação à governança da empresa que surgiria a partir da fusão.
“Apesar do término das tratativas para a combinação de seus negócios, o relacionamento comercial entre a Companhia e Marfrig permanecerá inalterado e não haverá quaisquer modificações nas práticas, condições e termos previstos em contratos por elas celebrados”, disse a BRF em comunicado assinado pelo diretor Presidente global da empresa, Lorival Nogueira Luz Jr.
Em nota assinada pelo vice-presidente de finanças e DRI, Marco Antonio Spada, a Marfrig também afirmou que o encerramento das negociações “não afetará outras parcerias comerciais existentes entre a companhia e a BRF S.A.”
As empresas anunciaram no final de maio que estavam discutindo a possível fusão. A união das duas geraria uma empresa com faturamento anual de cerca de R$ 76 bilhões.
A BRF é líder na produção de carne de frango e suína no Brasil, enquanto a Marfrig é vice-líder mundial no segmento de carne bovina, atrás apenas da JBS.
Participação no setor
Em 2018, a BRF teve uma receita líquida R$ 34,5 bilhões. Já o faturamento da Marfrig somou R$ 29,7 bilhões, mas o valor chegaria a R$ 41,4 bilhões se incorporados os números da americana National Beef, comprada pela brasileira em meados do ano passado. Portanto, juntas, duas teriam uma receita potencial de R$ 76 bilhões ao ano.
A BRF amargou um prejuízo de R$ 4,46 bilhões no ano passado, enquanto a Marfrig lucrou R$ 1,39 bilhão.
A BRF produz mais de 5 milhões de toneladas de alimentos por ano e tem 32 fábricas no Brasil e cinco no exterior (uma nos EUA, uma nos Emirados Árabes, três na Turquia e uma na Malásia), além de 20 centros de distribuição no país e 27 no mundo.
Ao fim do ano passado, a Marfrig tinha capacidade de abater de 33,5 mil bovinos e de produzir 232 mil toneladas de hambúrguer por dia. A empresa tem 10 centros de distribuição e escritórios no Brasil, EUA, Chile, Uruguai e Argentina.
Histórico
A BRF vive uma crise de gestão. A empresa vem acumulando sucessivos prejuízos e passou por trocas de comando recentemente. Neste ano, se desfez de ativos na Tailândia e, no fim do ano passado, vendeu duas operações na Argentina – uma delas, para a Marfrig.
No ano passado, a compra da National Beef alçou a Marfrig ao posto de segunda maior processadora de carne do mundo. Mas, para manter as finanças saudáveis após o negócio bilionário, a companhia vendeu sua participação na Keystone Foods.

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